terça-feira, 24 de julho de 2012

A menina e sua mãe.

A menina entra no Complexo de Édipo a partir do complexo de castração. Entretanto no momento pré edipiano, tanto no menino como na menina: o primeiro objeto de amor é a mãe.

Frente a castração materna, a menina constata que a mãe não tem o falo, e ela também não o tem. A menina decepcionada apresenta um sentimento de menos valia, inferioridade, mas também responsabiliza a mãe por não ter lhe dado.

“Assim como uma cicatriz, na mulher que reconhece sua ferida narcísica, instala-se um sentimento de inferioridade.”[1]  É a partir do narcisismo, das identificações que a que inveja do pênis (penisneid) traduz seus primeiros efeitos.  

O complexo de castração prepara a menina para o Complexo de Édipo. “Em vez de destruí-lo, a menina é forçada a abandonar a ligação com a mãe. Através de sua inveja do pênis e entra na situação edipiana como se esta fosse um refúgio.”[i][2]

Em relação ao primado fálico, menina se apoia no narcisismo, e a questão da diferença sexual fica envolta a um vel. Entretanto a menina partilha com os meninos o desprezo que o homem sente pelo sexo feminino.

Ao se julgar inferior torna-se igual ao homem por esse julgamento. Isso ocorre também, em relação a sua mãe. Acrescentando ainda ao fato de que a filha crê que sua mãe não lhe deu um verdadeiro  órgão genital como deu ao menino.

O sexo feminino permanece encoberto e assim é possível a identificação mãe e filha, entretanto relação marcada por esta desvalorização.  A mãe é uma das últimas mulheres a qual se tem a percepção de que é destituída de pênis.

Freud vai sempre se deparar com o mesmo obstáculo: a relação com o pai não faz realmente desaparecer, para a menina, a relação primária à mãe. [ii][3]

O pai neste momento é o elemento central. Essa passagem da mãe ao pai seria um deslocamento da figura materna. Inclusive com características semelhantes da primeira relação. E esse deslocamento(metonímia) acompanha a menina durante a vida adulta, nos relacionamentos amorosos com seus parceiros. É como se a figura paterna jamais substituísse(metáfora) a figura materna.

“Tudo se passa na realidade como se para a menina, o pai nunca substituísse completamente a mãe, como se fosse sempre esta última que continuasse a agir através da figura do primeiro.”[4]

Isso não significa que a menina não esteja assujeitada ao nome-do-pai, senão a menina seria psicótica. Apenas, é impossível que a mulher esteja inscrita totalmente na ordem fálica.

A renúncia do pênis não é tolerada pela menina sem alguma tentativa de compensação. Ela desliza. Ao longo da linha de uma equação simbólica poder-se-ia dizer – do pênis para um bebê como presente – de dar-lhe um filho. Freud aponta ainda que dois desejos permanecem catexizados na menina: desejo de pênis e o desejo de bebê.

Entretanto, existem outras saídas à menina para o Complexo de Édipo. A relação com a mãe permanece muito importante, percebemos isso no trabalho clínico, onde esta figura permanece intensamente presente, como amor ou como rivalidade. 



[1]Freud. A organização sexual infantil 1923
[2] Freud. A organização sexual infantil 1923
[3] Freud. A organização sexual infantil 1923
[4] Andre, S. O que quer uma mulher. P 179



[i] Freud. A organização sexual infantil 1923
[ii]André S. O que quer uma mulher? p 202

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