terça-feira, 22 de julho de 2014

“Asas do desejo” (1987)

Filme Asas do desejo




Nesta semana assisti o filme: “Asas do desejo”. História rica em imagens e de possíveis reflexões. Asas do Desejo não é de maneira nenhuma um filme óbvio: rico em detalhes, demonstrando a sincronia entre trilha sonora, imagens e as falas dos atores. Um filme que me fez pensar sobre a vida, escolhas, e a contradição do amor e o desejo. 

Vamos ao filme:

Dammiel(Bruno Gans) e Cassiel(Otto Sander) são dois anjos que circulam pelos céus e ruas de Berlim. São “Anjos da guarda” que acompanham os humanos, escutando seus pensamentos, angustias e lamentações. A proximidade dos anjos aplaca a angústia humana. Só as crianças podem vê-los. O mundo dos anjos é em preto e branco, enquanto os humanos veem e vivem em cores.  Talvez essa ausência de cores marque a diferença entre o mundo dos anjos e dos humanos. Os primeiros são eternos, podem circular por céus e terras, mas não saboreiam a vida em todas as suas nuances. A vida humana tem sabores, amores e dores que só nos humanos podemos sentir. (Pelo menos até onde conheço do mundo celeste.)

Um dia Dammiel se depara com Marion(Solveig Dommartin), uma bela mulher e trapezista francesa que trabalha num circo. Ela se sente sem perspectivas e pensa em largar tudo(filme se passa no pós-guerra). A princípio a aproximação se dá pela semelhança, pois ela está fantasiada com belas asas. Entretanto é só uma fantasia...Ele a segue até o quarto e a vê despir-se, perder as assas. Neste momento há o encontro entre um anjo e um humano,  ele como anjo tem a capacidade de diminuir a angustia, e sua simples aproximação  a faz sentir-se muito bem e completa. Será isso amor?   Marion por sua vez  sedutora e desejante, mesmo sem querer fisga Dammiel pelo desejo. O anjo tocado pela paixão,  pela beleza daquela mulher  tenta tocá-a ,entretanto é um anjo e o seu toque é etéreo: não sente e nem é sentido.

Para poder amá-la plenamente Dammiel, tem de perder a imaterialidade e descer a terra. Tornar-se humano, significa a possibilidade de desfrutar desta mulher, mas também abrir mão da eternidade e tornar-se mortal.  E Dammiel por amor torna-se humano, mortal e sexuado. Torna-se humano por amor ou pelo desejo?

A humanidade traz consigo a tentativa de  aprender, como uma criança, os diferentes  nuances do mundo que antes só presenciava e não sentia: o sangue é vermelho e tem sabor, as figuras grafitadas no Muro de Berlim foram pintadas de cinza e ocre, e que os olhos podem ser azuis.  As angustias e tristezas de ser humano são vividas. Como encontrar aquela mulher? Um certo vazio inerente a humanidade aparece, e  que num primeiro momento o motiva a caminhar e buscar. Enfim a humanidade traz consigo a possibilidade do toque, do olhar, do prazer das pequenas satisfações, mas também traz consigo a dor de existir, do risco de ser vivente.

Em relação ao amor e o desejo, fiquei com uma pergunta: Seria possível esse amor? Já que quando anjo Dammiel tinha a função de aplacar a angustia, a falta de perspectivas de Marion? Será que ela o desejaria como humano sem esse poder? Dammiel precisaria aprender a conquistar essa mulher como humano, mas o que quer uma mulher? Como humano é possível ser amado por essa mulher? 

O diretor alemão Win Wenders  teve muito exito com este filme, um dos mais  cultuados na carreira do diretor e um dos grandes momentos do cinema europeu dos anos 1980.  O drama de amor quase impossível entre o anjo e a trapezista é um dos pontos fortes de seu poder de encantamento, mas o filme guarda outros elementos igualmente sedutores.


“Asas do desejo” (1987)

Diretor: Win Wenders



segunda-feira, 14 de julho de 2014

Grupo de Estudos: A constituição da sexualidade - Sigmund Freud Amor & Desejo


Grupo de Estudos:
A constituição da sexualidade  -  Sigmund Freud
Amor & Desejo

“ Tudo é mistério no amor;
Suas flechas, sua aljava, sua infância;
Não é obra de um dia esgotar essa ciência.
Portanto não pretendo aqui tudo explicar;
Quero apenas dizer, a minha maneira... ”
Jean de La Fontaine
L´Amour el la folie

Quando nos debruçamos sobre o  desenvolvimento psicossexual humano  abordamos a entrada do sujeito na linguagem/cultura. A via dessa entrada é o amor e o desejo. Algo que nos  impulsionará ou não sobre as coisas do mundo: escolhas, encontros e desencontros. 
Somos constituídos a partir de um encontro com outro (mãe ou cuidador), calcado por diversos desencontros com este mesmo outro.  

Textos:

Conferência XXII             Revisão da teoria dos Sonhos  (1932-1936)
Sobre o narcisismo (1914)
O sentido dos sintomas
A vida sexual dos seres humanos
As pulsões e suas vicissitudes (1917)
Mais além do princípio do prazer (1920)
A organização genital infantil (1923)
O Ego e o Id (1923)
A dissolução do complexo de Édipo (1924)
Algumas consequências psíquicas da distinção anatômica entre os sexos (1925)
Fetichismo (1927)
Feminilidade (1932)
Comentadores:
O pai e sua função em psicanálise (1991)  Joel Dor
O que quer uma mulher? (1987)  Serge André
O amor é o crime perfeito (2001) Jean Claude Lavie
Abandonarás teu pai e tua mãe (2000) Philippe Julien
Constituição do sujeito e estrutura familiar (2003) Michele Roman Faria


Paula Adriana Vieira das Neves Couto
Praticante de psicanálise, especialização em psicanálise e linguagem:  uma Outra psicopatologia PUC – SP e participação em diversas atividades voltadas a psicanálise.

A quem se destina: estudantes de psicologia, psicanalistas, profissionais de educação  e interessados no tema.

Dia e hora:                                                   
Segunda Feira    19:00 – 20:00
ou
Sábado  10:00 – 11:00

Investimento: R$ 30,00 por encontro. O pagamento pode ser feito no próprio dia.
Inscrições: Confirme sua participação através do e-mail: paulaadriana.couto@gmail.com ou paulaadriana.couto@bol.com.br

Local:  Avenida Voluntários da Pátria, 2525 – cj 75 Santana – São Paulo SP – Próx. ao metro Santana
Telefone: (11)3715-8494